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Dia do Nutricionista!

Dra. Patrícia Campos-Ferraz, Nutrição
Publicado em 31/08/2017 - Atualizado em 11/09/2017


O Nutricionista estuda, em sua formação, disciplinas chave como Dietoterapia, Bromatologia (composição dos alimentos), Nutrição nos Ciclos da Vida, Psicologia aplicada à Nutrição, Técnica Dietética, Antropologia aplicada à Nutrição, Saúde Pública, Nutrição aplicada ao Exercício e ao Esporte, além das disciplinas básicas comuns da área de Saúde, como Bioquímica, Fisiologia, Farmacologia e Histologia.

Essa parte humanista e ao mesmo tempo aplicada do currículo do Nutricionista faz toda a diferença na hora de pensar a alimentação como fenômeno sociológico, pois permite que o profissional seja capaz de contemplar as necessidades nutricionais de um indivíduo e adaptá-la às mais diversas situações fisiológicas ou clínicas, bem como transcender os aspectos biopsicossociais que envolvem o ato de se nutrir.

Tal fato é especialmente importante nos dias de hoje. Explico. Vivemos um tempo onde a informação é largamente disponível, veloz, dirigida a uma geração que busca imediatismo e resultados rápidos. Prato cheio para o chamado “terrorismo nutricional”. Tudo faz mal, tudo é proibido, os resultados dos estudos científicos distorcidos para favorecer essa ou aquela “corrente” e o que vale é o resultado corporal que determinada estratégia promete e nem sempre entrega sem algum prejuízo físico ou psíquico.

Isso não é positivo, pois ao contemplarem-se apenas os aspectos biológicos da alimentação, a subjetividade inerente às escolhas alimentares e aos significados afetivos dos alimentos nas nossas vidas é negligenciada. São equívocos como esse que acabam levando muitas pessoas a um sofrimento desnecessário na hora de comer, trazendo culpa, vergonha e frustração em querer algo que é apenas prazeroso ou que faz parte da cultura alimentar e ancestral daquele indivíduo ou coletividade.

Some-se a isso o triste fato de alguns profissionais da área olvidarem-se da formação humanista e amplificada que receberam para ceder às pressões da moda e da mídia, transformando seus pacientes em seguidores sectários de uma ideologia alimentar X ou Y e com isso, prejudicar sua relação com os alimentos.  Enquanto Docente da UNICAMP na Área de Nutrição Esportiva, esse foi um conceito que enfatizei aos meus alunos, para que fossem muito críticos e éticos nesse aspecto.

Penso que o grande desafio que temos daqui por diante, diferentemente de quando comecei na carreira, não é tornar nossa profissão conhecida nem valorizada, isso nós já conseguimos. Vivemos um tempo em que precisamos ressignificar o exercício da Nutrição e pensar de forma mais abrangente sobre as questões humanas e filosóficas que abrangem as escolhas alimentares e dar a elas o mesmo peso que temos dado aos aspectos biológicos dos alimentos, pois somente assim poderemos alcançar o conceito integral de Saúde, em todos os níveis do ser humano.

Para saber mais:

A regulamentação da profissão Nutricionista existe desde 17 de setembro de 1991, através da lei 8234, que entre outros, regulamenta como atividade privativa do Nutricionista, em seu artigo 3º. Inciso VIII “assistência dietoterápica hospitalar, ambulatorial e em nível de consultórios de nutrição e dietética, prescrevendo, planejando, analisando, supervisionando e avaliando dietas para enfermos.” (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/1989_1994/L8234.htm)

 

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