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O Uso da Tecnologia na Urologia

Dr. Gustavo Caserta Lemos, Urologia
Publicado em 30/08/2017 - Atualizado em 24/03/2019



Desde a virada do século, a prática médica tem sido revolucionada por novas tecnologias que vieram agregar qualidade ao diagnóstico e tratamento das doenças. A urologia em especial absorveu essas tecnologias muito bem.

Em 1980, foi isolada uma enzima no sêmen humano, que foi chamada de Antígeno específico prostático. Ela é responsável pela liquefação do ejaculado, alguns minutos após a ejaculação. Ela está presente no sangue em pequenas quantidades e aumenta quando há algum problema na próstata. Este aumento acima de de 2,5 ng/mL, em aproximadamente 25% das vezes indica a presença de um câncer na próstata. Esta descoberta permitiu o diagnóstico precoce do câncer e seu tratamento antes que ele tivesse saído da próstata. Iniciou-se a era do tratamento inicial do câncer de próstata através de radioterapia e cirurgia, que era feita por via aberta por incisão desde a cicatriz umbilical até o osso púbis. A cirurgia, chamada de prostatectomia radical, é o tratamento mais utilizado para o tratamento do câncer de próstata localizado. Esta cirurgia por via aberta era a única técnica disponível até o surgimento da vídeo-laparoscopia (VLAP) terapêutica em 1987. A VLAP foi bastante usada até 2008, quando surgiu a cirurgia robótica, que tomou rapidamente o lugar da cirurgia aberta e da laparoscopia. Hoje, nos Estados Unidos e Europa, a maioria das prostatectomias são feitas com o auxílio do robô.

A introdução do robô como instrumento cirúrgico trouxe vantagens, como a menor perda de sangue, menos transfusão sanguínea, menor número de complicações, menor índice de estenose da anastomose uretrovesical, menos mortes perioperatórias e menor tempo de internação.

Quando tratamos o câncer de próstata tentamos sempre fazer a “trifeta”, ou seja, atingirmos 3 objetivos. O primeiro é a cura do câncer e os outros dois são manter o paciente continente do ponto de vista urinário e sexualmente potente. A cirurgia robótica tem os mesmos resultados que a técnica aberta em relação à cura do câncer e leva vantagem na aquisição mais rápida da continência e causa menos impotência. A recuperação do paciente é menos dolorosa e mais rápida. O tempo de internação é de 2 dias e o tempo de sonda uretral no pós-operatório também é menor, 6 dias.

No Brasil os centros de cirurgia robótica ainda são poucos, devido o alto custo do equipamento. No Hospital Albert Einstein, em São Paulo, de 2008 a 2017 foram feitas 6015 cirurgias robóticas, sendo 49% urológicas.

Outra aplicação da cirurgia robótica que trouxe grandes vantagens foi na retirada de tumores renais. Quando os tumores têm características e dimensões que permitem a manutenção da parte normal do rim, retira-se apenas o tumor. Esta cirurgia é chamada de neferectomia parcial. Ela é tecnicamente desafiadora porque o fluxo sanguíneo do rim precisa ser interrompido enquanto o tumor é retirado e é feita a sutura do parênquima renal. Este tempo de clampeamento arterial do rim é chamado de tempo de isquemia quente e não deve passar de 20 minutos. A técnica aberta é muito traumática, pela incisão de músculos abdominais ou dorsais de grande espessura levando a uma recuperação dolorosa e longa. A cirurgia VLAP veio somar, pelo seu baixo trauma, mas era tecnicamente muito difícil e sua curva de aprendizado muito longa. A cirurgia robótica também é minimamente invasiva e tem a vantagem da visão tridimensional com instrumentos articulados. Estas facilidades permitiram suturas mais rápidas diminuindo a tempo de isquemia quente e, portanto, preservando melhor a função do rim remanescente.

Além do robô houve grandes avanços no setor de imagens para diagnóstico e estadiamento dos tumores. A ressonância magnética multiparamétrica da próstata trouxe informações preciosas sobre as doenças, permitindo diferenciar casos de inflamações e infecções de tumores. Este avanço levou à diminuição das biópsias desnecessárias. As biópsias guiadas por ultrassom passaram a ser feitas com fusão de imagens da ressonância o que melhorou a acurácia do exame. Em outubro de 2016 passamos a contar com o Pet CT com PSMA que é específico para próstata e auxilia na localização de metástases ósseas, ganglionares e em outros órgãos.

Todas estas tecnologias têm sido usadas para melhorar nossa prática, tornando os tratamentos mais eficazes e seguros para os pacientes.

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