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Mitos e Verdades sobre Câncer de Mama

Antônio Luiz Frasson, Mastologia
Publicado em 26/06/2017 - Atualizado em 29/06/2017


A internet é um vasto campo para a disseminação de informações e conhecimento. Ao mesmo tempo serve também para espalhar informações desprovidas de mínima comprovação científica sobre diversos temas que geram confusão, incertezas e aflições.

O câncer é um dos tópicos favoritos na disseminação dessas informações, os chamados “mitos da internet”. Abaixo vamos discutir sobre alguns deles:


1. Usar sutiã causa câncer? E o sutiã com metal? – Este questionamento é muito frequente nos consultórios médicos, devido à divulgação errônea na mídia leiga sobre o uso de produtos que utilizamos na nossa rotina que poderiam causar câncer de mama.

Apesar do uso generalizado de sutiãs entre as mulheres e a preocupação que o uso deste possa aumentar o risco de câncer de mama, não há estudos que comprovem esta visão. 

Em junho de 2002 a Clínia Mayo, um importante centro de estudos americano, realizou uma pesquisa com o objetivo de avaliar a relação entre o uso do sutiã e o risco de câncer de mama. Foi realizada uma comparação entre 1.044 mulheres diagnosticadas com carcinoma mamário entre 2000 e 2004 com 469 mulheres sem a doença. Nenhum aspecto relacionado ao uso do sutiã incluindo o tamanho do bojo, número médio de uso em horas/dia, a idade em que começaram a utilizá-lo foi associado ao risco de desenvolvimento da neoplasia.

Os sutiãs com metal também não possuem associação com a doença, entretanto, o seu uso muito apertado pode estar relacionado ao surgimento de dor mamária ao causar uma pressão sobre a mama podendo causar desconforto local.

2. Próteses de silicone aumentam o risco de câncer – Existem cerca de 10 milhões de mulheres em todo o mundo com implantes mamários. Nos Estados Unidos mamoplastia de aumento é procedimento cosmético mais realizado, com uma estimativa recente de mais de 550.000 implantes colocados por ano.

Apesar de décadas de uso, a segurança a longo prazo dos implantes mamários em mulheres continua a ser uma preocupação. Entretanto, pesquisadores em Los Angeles, na Califórnia (Plast Reconstr Surg. 1997 Abr; 99), acompanharam 3182 mulheres com implantes mamários por mais de 14 anos e mostraram que estas pacientes não apresentaram diferença na incidência de neoplasia bem como não havia atraso na detecção da lesão. Outros seis estudos epidemiológicos publicados sobre o tema também relatam que o risco de câncer de mama é igual ou inferior à taxa esperada.

Portanto, os implantes mamários não causam a doença, podendo ser utilizada com segurança tanto em pacientes que desejam cirurgia estética, quanto naquelas com história pregressa de doença mamária prévia.

3. Tenho mamas grandes, tenho maior risco para desenvolver câncer de mama? – O risco é igual independente do tamanho. Esta é uma afirmação já consolidada na literatura, o estudo mais antigo data de 1977 e foi realizado na Universidade do Havaí (Br Med J. 1977 Sep 3). Portanto, o tamanho da mama NÃO é considerado um fator de risco.

É comum também uma mama ser um pouco maior do que a outra. Estatisticamente sabe-se que a mama esquerda é um pouco maior sem que isso acarrete numa probabilidade maior de se desenvolver alguma doença. Um estudo europeu correlacionou a numeração do sutiã com o risco de neoplasia e concluiu que o tamanho da mama está comumente relacionado ao sobrepeso e que a obesidade atua como um fator de risco independente para o desenvolvimento de tumores.

4. Qual a influencia da alimentação no risco de se desenvolver neoplasia mamária? O peso não influencia no risco? – Tem se observado um crescente interesse em pesquisas que avaliam os padrões alimentares dos adolescentes e dos adultos jovens versus o risco de câncer de mama.

Os tipos de alimentos consumidos, sua frequência e a sua proporção na dieta têm sido analisados em diversos países. Nos Estados Unidos um grande estudo populacional envolvendo mais de 95.000 mulheres concluiu que o consumo de uma boa quantidade de fibras dietéticas (frutas, vegetais e grãos integrais) foi associado a um risco significativamente inferior de câncer de mama. Estudos anteriores quase não foram significativos, mas vale ressaltar que nenhum deles examinou a dieta durante a adolescência, período em que os fatores de risco para o desenvolvimento da neoplasia parecem ser particularmente importantes uma vez que o tecido mamário apresenta maior taxa de proliferação durante este período.

Outras publicações também demonstraram que mulheres obesas na pós-menopausa têm mais risco de câncer de mama que as com peso normal. Uma pesquisa apresentanda em Dezembro 2016 (WHI DM Trial, San Antonio Breast Cancer Simposyum), evidenciou que mulheres diagnosticadas com câncer de mama e que adotam uma dieta com baixa quantidade de gordura apresentam um menor risco de recidiva e morte pela doença. Mais um motivo para controlar a dieta e praticar exercícios!

5. Usar desodorante antitranspirante causa câncer de mama ? – Após a publicação de um estudo Suíço em Setembro de 2016 na International Journal of Cancer  que estabeleceu uma ligação em camundongos entre câncer de mama e sais de alumínio, a controvérsia sobre desodorantes ou mais precisamente a cerca de sais de alumínio em antitranspirantes reacendeu novamente esta polêmica.

No entanto, nenhum estudo epidemiológico realizado em seres humanos conseguiu estabelecer uma relação direta entre os sais de alumínio e o risco de câncer de mama. Até esta data, apenas dois estudos com alto nível de evidência científica analisaram as consequências da aplicação regular de antitranspirantes não havendo comprovação que o seu uso tenha influência no aumento do risco de se desenvolver a neoplasia.

A neoplasia mamária é conhecida como uma doença de causa multifatorial, influenciada por fatores genético-ambientais, e que certamente não esta relacionada a qualquer dos mitos populares acima descritos.

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