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Mindfulness e autocompaixão

Dra. Kristin Neff e Dr. Christopher Germer, Psicologia
Publicado em 31/05/2019 - Atualizado em 13/08/2020



Vivemos em uma época em que a prática da compaixão e a ciência já não são mais temas isolados e em que a sabedoria do Oriente e a do Ocidente estão se fundindo. Nesse contexto, psicólogos lançam no Brasil o Manual de mindfulness e autocompaixão, que traz informações, exemplos de experiências pessoais, exercícios, ideias e práticas amplamente baseadas em pesquisas científicas.

Os autores – Kristin Neff, psicóloga do desenvolvimento e pesquisadora pioneira da autocompaixão, e Christopher Germer, psicólogo clínico que, desde a década de 1990, está na vanguarda da integração de mindfulness à psicoterapia – criaram, em 2010, o Programa de Autocompaixão Consciente (MSC) que embasa este livro.

A autocompaixão envolve tratarmos a nós mesmos da forma como trataríamos um amigo com dificuldades. Envolve, quando cometemos um erro ou falhamos, oferecer a nós mesmos cordialidade e aceitação incondicional. É importante reconhecer que todos os seres humanos são uma obra em desenvolvimento, que cometem erros e experimentam dificuldades na vida, e que muitas das nossas dores se originam da autocrítica.

Mindfulness (atenção plena) é o primeiro passo para sermos autocompassimos. Significa estarmos conscientes das experiências momento a momento, de forma clara e equilibrada, usando todos os cinco sentidos. “Precisamos ser capazes de nos voltarmos ao nosso sofrimento e reconhecê-lo, sem exagerá-lo, para responder com amor e gentileza”, explica Neff.

Pesquisas realizadas na última década mostram que indivíduos que são mais autocompassivos tendem a sentir maior felicidade, são saudáveis e estão em relacionamentos melhores, com menos ansiedade e depressão. E têm a resiliência necessária para enfrentar eventos estressantes como divórcio, problemas de saúde, fracasso acadêmico e traumas. Os recursos de mindfulness e autocompaixão nos ajudam a trabalhar com emoções difíceis sem evitá-las ou resistir a elas, e sem nos deixarmos sobrecarregar por elas.

De acordo com Germer, a necessidade de ser “especial e acima da média” acaba levando a narcisismo, comparações constantes com os outros, raiva como defesa do ego e preconceito. Uma limitação da autoestima é que ela está a nossa disposição nos momentos de sucesso, mas não nos de fracasso. Já a autocompaixão oferece senso de autovalorização, mas não exige que sejamos perfeitos ou melhores que os outros.

Um grande medo das pessoas, segundo os autores, é que a autocompaixão as torne fracas e vulneráveis. Mas, na verdade, ela é uma força interna que confere coragem quando nos defrontamos com dificuldades. Para eles, a autocrítica não é um motivador efetivo, pois tende a minar a autoconfiança e leva a medo e a fracasso. “Se formos autocompassivos ainda estaremos motivados a atingir nossos objetivos – não porque somos inadequados do jeito que somos, mas porque nos importamos com nós mesmos e queremos atingir nosso pleno potencial”, afirma Germer.

 

Autores:

Sobre Kristin Neff: PhD, Professora Associada de Desenvolvimento e Cultura Humana da University of Texas, em Austin, pioneira na área da pesquisa da autocompaixão. É autora do livro Autocompaixão e do programa em áudio Self-compassion: step by step. Além de inúmeros artigos acadêmicos publicados sobre o tema, ministra palestras e coordena workshops no mundo inteiro. Com Christopher Germer, criou o curso online “The Power of Self-Compassion”. 

Sobre Christopher Germer: PhD, tem clínica privada em Arlington, Massachusetts, Estados Unidos, especializada em mindfulness e psicoterapia baseada na compaixão. É palestrante em tempo parcial na Harvard Medical School/Cambridge Health Alliance e membro docente fundador do Institute for Meditation and Psychotherapy e do Center for Mindful Self-Compassion. Seus livros incluem The mindful path to self-compassion e Wisdom and compassion in psychotherapy e Mindfulness e psicoterapia (publicado no Brasil pela Artmed). Ministra palestras e coordena workshops no mundo todo.

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